No updates? Who cares?
3 de novembro de 2007

Ouvindo: Saul Williams – The Inevitable Rise and Liberation of NiggyTardust!

Quinta, trabalho sobre Manet pra apresentar na faculdade, eu esqueci completamente. Quando o Igor me mandou o arquivo do trabalho pra eu dar uma olhada pensei “puta que pariu, esqueci do trabalho!” Ainda bem que era em grupo e ele tinha lembrado. Apresentamos o trabalho na boa, minha contribuição acabou sendo apenas com a diagramação, pra eu não me sentir tão culpado de não ter feito absolutamente nada.

Ao final das apresentações foi a hora de cada um escolher o tema da próxima semana. O do meu grupo foi August Renoir, que eu já fiz a pesquisa e tudo mais, falta só montar a apresentação. Então, após a escolha, foi a hora de, como sempre, trocar umas idéias com a professora. Acabamos vendo um livro com vários quadros realistas e impressionistas. Foi quando alguns me chamaram a atenção e eu perguntei como é que eram feitas essas pinturas. Afinal, a fotografia tinha seria inventada quase meio século depois.

Naquele tempo o mundo não corria como corre hoje. Uma imagem como a vista abaixo ficava no imaginário do pintor por muito tempo. Ele era obrigado a fotografar o momento, ou fotografar a situação imaginada, para enfim imprimi-la em sua tela com as cores que ele mesmo inventava e com pincéis.


Aí me veio uma pergunta na cabeça: não estamos indo rápido demais para o fim?

Afinal hoje as coisas ficam “old” rápido demais. Tudo na internet que você viu onte, ou hoje de manhã, já é “old” pra muita gente. Todas as empresas buscam uma nova Emilie que não tenha vida própria, passe 24 horas em função da empresa e que ganhe metade do salário da antiga Emilie. Será que isso realmente é o certo ou estamos ficando cada vez mais cheio de trabalhos sem conteúdo?

Conversando com alguns amigos, que possuem em comum a paciência de ter um blog, a maioria esmagadora procura atualizar seus blogs umas 3 vezes por dia. De onde arranjam tanto tempo? Ou não se preocupam em colocar o conteúdo lá? Não estaríam eles se auto-proclamando “escravos do old absoluto”?

Eu estou estudando mais desenho. Comecei semana passada a produzir um desenho por fim de semana. Quem teve curiosidade de clicar nos links do Deviant Art ou, mais precisamente, no CG Society vai ver que semana passada eu fiz um desenho mais elaborado. Ontem comecei mais um que pretendo finalizar até amanhã. Então aconteceu que, no meio da semana, o Ozzy perguntou pra mim “não tem mais desenho novo?” Aí é um motivo pra parar e pensar: uma semana já é um prazo absurdo pra quem quer mostrar algo novo. E isso é um fenômeno global. Quantos processadores a Intel joga nas ruas a cada semestre? Quantas TV’s novas são lançadas a cada mês? Quantos sites nascem e morrem todos os dias? Não seria hora de parar um pouco em tentar ocupar demais o tempo dos outros?

Hoje em dia as revoluções duram o tempo do próximo clique do mouse. Temos tanto, mas tanto conteúdo, que fica difícil assimilar. Eu sei porque já fui escravo de sites de notícias, já fui escravo de blogs, já fui escravo de fóruns e, sabe de uma coisa? Hoje eu não quero mais ser escravo de nada! Motivo? Quanto mais se sabe, mais exigem e menos valorizam. Fato!

Basta ver a pessoal que faz tudo na empresa. Aconteceu comigo duas vezes. Procurei fazer tudo, aprender tudo, e no final da história o cara que era pós-graduado em puxa-saquismo venceu. Hoje em dia eu quero fazer o meu serviço e deu. Fazer o que eu sou pago e deu. Não gostou? Não tem problema. Eu sei que consigo me virar, sempre consegui, qual o motivo de não conseguir mais? Eu continuo estudando, na real nunca parei, então chega uma hora que a gente tem que se livrar das coisas que aprendemos e não gostamos. Eu gosto de design? Gosto de desenho? Vou me dedicar à isso.

Fora que é uma terapia. Enquanto o mundo lá fora gira, pessoas batem o cartão pra entrar enquanto outras batem pra sair, eu estou no meu quarto, conversando com o Podrão, pintando. Por horas e horas, dias. Não cheguei ao ponto de demorar uma semana pra fazer um desenho, mas quem sabe um dia não se leve esse tempo?

Quadros como Woman With a Cat levavam meses para serem pintados. Renoir é considerado um gênio devido ao realismo das suas obras. Hoje temos pintores digitais que fazem quadros mais realistas que de Renoir ou DaVinci, mas não são tidos como gênios. O motivo para isso não seria a falta de conteúdo? Quadros que são belos, mas não nos fazem pensar? Quadros para agradar aos olhos, ou ao ego, mas sem alma? Essa produção em massa realmente vale a pena? Temos tempo pra saborear tudo o que consumimos?

A cadeia do Fast Food acabou afetando a todos. Alguém, algum tempo atrás, já tinha imaginado Fast Food de massa? Tá aí o Spoleto pra transformar o ato de comer massa equivalente ao Big Mac. Já tem Fast Food de comida chinesa, por quê não um Fast Food de gente? Não é isso o que vemos com o ensino? Milhares e milhares de canudos impressos e assinados por semestre e tantos formandos trabalhando em shopping centers. É a falta de emprego pro nível superior ou a falta de qualidade no trabalho realizado? Quem é bom consegue emprego antes mesmo de terminar a faculdade. Quem sabe cultivar uma rede social boa colhe excelentes frutos, é só não ser falso e aparecer apenas na hora que se precisa.

Conheço muita gente assim. Semana passada eliminei vários da minha lista de amigos. Parei pra pensar e analizar o tipo de conversa com cada pessoa. Existem pessoas que têm a cara de pau de procurar apenas quando precisam fazer algo no computador, ou quando precisam de alguma ilustração pro trabalho da faculdade, ou mesmo dar retoque numa foto. E deu, somem e só aparecem de novo quando precisam de algo. É assim que se vai pra frente? Vou começar a cobrar a consultoria pra ver quem é amigo e quem não é. Hehehehehe… Easy money (not so easy).

Mas, voltando ao assunto principal, as coisas andam rápido quando são de interesses de algumas pessoas que controlam o mundo. Usar água como combustível não é algo novo, mas qual empresa grande investe nisso? Por quê não deixar um pouco o investimento em petróleo de lado e investir no uso de água como combustível? Não polui. Por quê não investir em um condicionador de ar que agrida menos o meio ambiente?

O mundo anda tão rápido pra certas coisas e tão devagar para outras, não acha?

The Inevitable Rise and Liberation of NiggyTardust!
Sei que não é novidade, B Negão já fez isso em 2004, mas Saul Williams, em parceria com Trent Reznor, lançou The Inevitable Rise and Liberation of NiggyTardust totalmente free. Comentei alguns posts atrás sobre isso, e hoje prestigio o resultado. O disco é muito bom! E não é necessário pagar se você se contentar com uma versão em mp3, com qualidade 192kbps. Eu, com sou um pouco chato, paguei U$ 5 por uma cópia em 320kbps. Quem quiser 100% de fidelidade tem a opção de, também por U$ 5, comprar uma cópia em Flac. É um excelente disco, e uma indicativa de que os dias das gravadoras podem estar contados se elas continuarem com esse modo antiquado de cobrar mais do que deve por música.

PS: Ainda estou impressionado com o show da Bjork. AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!



Escrito às 13:05 | Link | | Comments (0)

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