27 de outubro de 2007
Rise your flag to Björk! + extra post
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Ouvindo: Björk – Homogenic

Bjork @ Marina da Gloria

Sabe aquela noite que tu espera que nunca acabe? Ontem foi uma delas, começou por volta das 9:30, com as garotas-da-Gelândia-que-tocam-alguma-coisa, hehehehe. Legal ver coisas bem básicas, que a gente mesmo pode fazer em qualquer show, serem usadas num som bem experimendance. Elas entraram no palco com uma pintura reagente à luz negra, então o palco estava bem escuro e elas com as testas brilhantes. Então entra, finalmente, uma das intrusas da Terra, também da Gelândia, baixinha, miudinha, muito gostosinha e com uma voz de gelar a espinha dorsal em meio mundo: Björk!

É normal que não se espere de um show que o cantor seja perfeito, que hajam deslizes, mas que a diversão seja garantida. Com Earth Intruders ela entrou bem tímida, voz contida, poucos gestos, uma cara tipo “que merda eu tô fazendo aqui? vou parar o show agora mesmo e voltar pra casa!”, mas seguindo, levando, empurrando com a pouquíssima barriga que ela tem. Em Hunter ela brincou de spider-iceland-girl. Mesmo vendo e revendo o vídeo eu ainda me pergunto como é que ela faz isso. Na real não quero descobrir, quero que a mágica de não saber que um truque bem simples e barato, mas de grande impacto, continue sem muitos detalhes. Durante Pagan Poetry ela começou a se soltar, dançar, só não falo que começou a soltar a voz porque, apesar dos gestos tímidos da entrada de palco, ela fazia questão de imitar o que está registrado os discos, sem deixar a dever nada.

Unravel, Pleasure Is All Mine, Jóga e Desired Constellation passaram como um iceberg gigantesco, lento, imperial, com propriedades impossíveis de serem descritas. É assim, pela primeira vez, que a imagem da garota nórdica se apresenta pra mim.

Bjork @ Marina da Gloria

Então, como é de se esperar, a Terra dos intrusos começa a se movimentar, a mãe natureza, de sobrenome Guðmundsdóttir, começasse a despejar sua fúria perante os reles mortais que a acompanham. Não tinha gorila no palco, não existiam dentes prateados, muito menos tanques de guerra, mas começava o exército de vários eus, Army of Me. Acho que foi a primeira música da carreira solo que eu escutei, não lembro de nada pré-AoM. Mas ao vivo, com toda a galera pulando em volta, todos cantando alto, adrenalina à mil, a coisa muda de figura. Earth Intruders começou bem, mas as músicas seguintes não mexeram muito com o pessoal porque são mais calmas e, principalmente, um Antony and The Johnsons não é o ideal pra tocar antes das experimaluquices da rainha dos altinhos.

Innocence, segundo single de Volta, segue a agitação. Uma coisa interessante sobre esta música é que seu clipe foi feito por fãs. No início desse ano foi aberto um concurso de vídeos onde, entre os primeiros colocados, estava um vídeo brasileiro. Essa música, assim como Earth Intruders, possuem características fortes da produção de Timbaland. Foi outra esquisitice que ela provou que dá certo. Eu NUNCA, desde meus 5 anos de idade, achei que esse produtor teria capacidade de fazer algo bom. Um cara que produz Justin Timberlake não merece respeito. Mas Bjork soube aproveitar as propriedades dele e usou como uma pitada de sal na sua salada alienígena. É notável a mão de Timbaland ali, mas ela não toma conta de tudo. Quem toma conta de tudo é uma pequena garota da Gelândia, que é como tem que ser.

Björk @ Marina da Gloria
Dia 26 em São Paulo? Buenos Aires, Brasil? Tudo bem, é Björk!

Então voltamos um pouco no tempo com I Miss You. Metais na ativa misturados com instrumentos exóticos (veja link referente à música Hyperballad) e uma voz impecável. Ao vivo Björk não erra, na pior das hipóteses ela soa igual ao disco, na melhor delas é algo que ela faz exclusivamente para este show. Nunca um show é igual ao outro, nunca um disco é igual ao outro, e Wanderlust não pode ser igual à versão impressa. Como diria o irritante Fausto Silva, “quem sabe faz ao vivo”, mas o que eu vi ontem não foi uma simples prova de quem sabe, e sim de quem cria. Quem sabe faz ao vivo, ok, mas quem está num nível acima cria ao vivo. E assim foi também com Cover Me.

Então, graças à propriedade de que um show não é igual ao outro eu vi:


Sim, sinta inveja quem não estava lá. Essa é a rave da Björk! YEAHHHHHHHH!

Após o pontapé quase final, vem Pluto. Outra coisa interessante é ver a evolução da música durante o show. Um dos carinhas dos eletrônicos tinha um Reactable, um instrumento que é uma tela touch-screen redonda onde se coloca pequenas peças que representavam uma frequência ou um sampler. Ele começou usando esse “instrumento” para produzir apenas uma interferência. Sim, isso mesmo, ligue um plug no amplificador e do outro lado do cabo coloque o dedo no outro plug. Isso é uma interferência, nada mais nem nada menos. No final ele já estava manipulando muita coisa, e é por causa disso que, por exemplo, o final da Hyperballad ou da Wanderlust nunca é o mesmo.

Veja um demo do Reactable clicando aqui.

Ela sai de cena, e volta apenas para declarar independência. Rise your flag HIGHER! Make your own flag, make your own life. Declare independence!

E assim foi, pela primeira vez, Björk. Por mais que eu tenha tentado descrever aqui, nada é igual a um palco com a própria.

Bjork @ Marina da Gloria

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Post bônus!

Se você chegou até aqui, parabéns! Este é um bônus que só os bravos que lêem toda a baboseira que eu escrevo têm acesso. É como uma megawarp do Battletoads, ou uma roupa de peixe no God of War II.

Este é um recadinho pras pessoas que não conhecem a palavra respeito e que, também, se esquecem de ir para um show para se divertir.

Num evento como o Tim Festival, onde muitas pessoas vão para se divertir e presenciar uma performance bombástica, como a da Björk, o mínimo que se espera é? Vamos lá, responda! Pergunte para o seu vizinho que está vendo uma partida de futebol a todo volume agora mesmo ou pra pessoa que está no Orkut em um computador numa lan house próxima. O que se espera? Hein? Isso mesmo! A resposta é: VER O SHOW! SE DIVERTIR!

Pois tem gente que não se diverte, que vai lá pra ficar filmando ou fotografar. Tudo bem, tire 10, 20 ou 30 fotos do show. Filme 1 ou 2 músicas. MAS PARE DE FOTOGRAFAR E FILMAR O SHOW INTEIRO PORRA! Existem pessoas que pagaram o mesmo valor, que tem uma estatura menor que a sua e estão bem atrás de ti. Essas pessoas são prejudicadas porque não conseguem ver o show direito, e tu sai prejudicado porque vai ter excelentes fotos, mas poucas lembranças do que foi o evento. Vai se lembrar das músicas porque filmou, mas não porque cantou e pulou junto com a cantora.

Lembre-se: qualquer show é único. É um show que acontece apenas uma vez e deu. O cara vai errar naquela música só naquele show, o vocalista vai berrar em certa parte da música só naquele show, e tu vai se sentir feliz depois sabendo que foi pra lá só pra filmar e fotografar pra mostrar para os amigos emos que tu esteve lá? Prova para os outros é mais importante que vivenciar o momento?

Quando proíbem a entrada de câmeras num show eu acho ruim, mas por esse ponto de vista é certíssimo. Ninguém perde ao deixar a câmera em casa. Prestigie o trabalho dos fotógrafos profissionais que foram cobrir o show. As fotos deles vão ser infinitamente melhores que as suas. Então viva o momento, depois faça uma pesquisa no Google e pegue imagens do show. Seja inteligente, pegue as fotos que os profissionais tiraram e use seu cérebro pra lembrar do show, ou tua memória é tão curta que nem isso tu lembra? Eu lembro de cada show que eu fui, lembro de, ao menos, 80% dos shows, exceto os que eu fui como fotógrafo. Nesses eu esqueci o meu lado fã e usei meu lado profissional. Nesses eu fiz o que deveria fazer: documentei o evento para os outros que não poderam ir ou que não levaram câmera possam guardar uma lembrança do visual do show.

O show não é apenas seu, é de todos, então: divirta-se exatamente como todos os que estão à sua volta.

PS: Só pra ilustrar mais um pouco a situação.
O carinha que estava perto de mim e da Fernanda tirando fotos estava usando zoom, o que reduz a entrada de luz até o sensor, velocidade 1/40, abertura média, então dava pra ver nitidamente que todas as imagens estavam sub-expostas. Ou seja: além de pagar e não se divertir, ainda não vai ter fotos apresentáveis. É muita burrice pra uma pessoa só!



Escrito às 12:30 | Link | | Comments (2)

2 Comentários »

  1. só um show da björk mesmo pra me fazer ir até a glória (que é longe pra dedéu e contramão) e aguentar chuva, calor infernal na platéia, banheiros toscos e pseudointelectuais mal educados, que ficavam tirando fotos e a minha visão do palco, além de ficar fazendo “coraçãozinho” com as mãos, na esperança da björk ver e gostar.

    um recado pra essa pessoa em particular: björk NÃO te conhece e NÃO tava prestando atenção na tua mão de s2.

    mané.

    ah sim, o show foi maravilhoso! único! perfeito! divertido! tudo de bom!

    Comment by Fernanda — 27 de outubro de 2007 @ 15:01

  2. Bom, o post foi super empolgado, parece que foi uma experiência “orgástica” esse show (pra ti, e pra todos que curtem esse som)… Mesmo eu não curtindo Björk, achei interessante teu post e as fotos que vc colocou lá.

    Ah, outra: boa observação. Ir num show só pra tirar fotos (e tirar mal ainda!) tem mais é q se ferrar mesmo! Tb acho um saco… se o cara quer ser da imprensa, começa a trabalhar para a imprensa, oras!

    Valeuzão…

    Ah, aliás, valeu pelos coments no meu blog.

    Concordo contigo em algumas coisas, até fiz um post curtinho pra “explicar” meu posicionamento sobre a situação religiãoxfísica x realização.

    Recomendo assistir o DVD “Quem somos nós? Uma nova Evolução”… Bem legal, continuidade sobre o mesmo tema.

    Bjão procês!

    Comment by Vanessa (Chrys) — 29 de outubro de 2007 @ 10:41

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