Existe algo em que deveríamos levar mais a sério. Não falo sobre o futuro da Internet, se o iPhone vai dominar o mercado e se tornar a oitava maravilha do mundo, onde quer que você esteja, se vamos ter TV a cabo onde quer que seja, se os nossos carros serão mais econômicos. Falo sobre algo que é bem pequeno, bom, não tão pequeno assim, mas que seu tamanho se torna insignificante se comparado com o cosmos, mas que faz com que tudo o que acontece dentro dele acabe se tornando superior ao cosmos. Falo sobre a vida. O que será da nossa vida daqui a alguns anos? Se teremos petróleo ou não, não me interessa, porque petróleo não gera vida, petróleo gera a ganância, petróleo gera mais discórdia entre a humanidade. O petróleo nos tira a dignidade. Faz com que seu “dono”, ou a pessoa que teve a (in)felicidade de encontrar se achar superior aos outros. Porém petróleo não é nada se não for transformado na maior arma da humanidade: o dinheiro.
Para o ser humano comum, trabalhador, que levanta todos os dias as 6 horas da manhã pra trabalhar, pega um ônibus lotado, trabalha, dá tudo de si, e volta de noite pra casa, quando tem casa, dinheiro é o que o faz ser obrigado a cumprir essa rotina, esse “script” que Deus escreveu para o seu destino.
E quando o homem se acha superior a Deus, superior aos seus semelhantes, o que pode acontecer?
Em 9 de março de 2005, quase dois anos atrás, em Pelotas, três universitários arrastaram por 5 quadras uma cachorra que estava esperando filhotes. Veja bem: 5 quadras. Quase nada, porém o suficiente para ceifar a vida de alguém.
“Não é criança. Isso é um Judas que a gente está carregando.”
Frase de um dos assassinos para uma pessoa que tentava avisar sobre o garoto pendurado.
Essa semana o ser humano provou ser capaz de mais. Os Beatles tinham vendido muitos discos. Michael Jackson conseguiu superá-los, daqui a pouco o U2 supera Michael Jackson, e em seguida alguém vai superar o U2. O ser humano sempre consegue mais. Ele sempre consegue se superar.
Mas, infelizmente, esse texto não fala da superação pelo lado bom, do lado dos justos, não fala sobre a beleza da vida e sobre como o futuro será belo. Futuro? O que é isso?
O futuro acaba nos 7 km. Pode ter acabado antes, mas oficialmente o futuro levou 7km. pra terminar. O futuro terminou preso a um cinto de segurança.

Uma frase que eu lembrei nesse exato momento, uma frase ridícula dos tempos em que eu estudava no colégio Leocádia, fazia a 7ª série, sei lá. Mas é uma frase que não faz sentido, principalmente nesse instante. “Curta a vida porque a vida é curta.” Quantas pessoas não escreveram na página onde dizia “escreva aqui sua frase preferida” nos questionários que as gurias passavam pra turma inteira? Algumas pessoas não tiveram a oportunidade de aprender a escrever, não viveram, porque a vida foi curta demais.
Porém, em alguns casos, mesmo tendo vinte e poucos verões nas costas, nada do que foi vivido ensinou algo. Em troca de um carro, de algo que é movido pelo petróleo, que é comprado com o dinheiro, mais uma vida se foi. Lembro de meu pai me contando, ainda quando eu era adolescente, sobre um colega de serviço dele cujo filho havia sido assassinado por causa de um tênis. Você deve estar pensando nesse exato momento “lógico, ele reagiu ao assalto, brincou com a sorte”, mas não. Segundo relato de um vizinho, dois rapazes encostaram um revolver no peito do guri e pediram os tênis. Ele prontamente entregou, e em seguida, ao invés de dar as costas e ir embora com o grande prêmio, o assaltante preferiu atirar. Ele conseguiu o que queria, mas queria algo mais, mas o que seria esse algo a mais? Vingança porque a sociedade o excluiu de alguma maneira? Vingança porque aquele rapaz roubou o lugar dele dentro da escola? Ou simplesmente matou porque estava chapado? Ninguém sabe. Que eu saiba os ladrões não foram presos.
Mesmo no caso de reagir a um assalto:
Devemos reagir?
Essa é a pergunta certa?
Devemos reagir a um assalto?
Te falo, depois de passar por 3 assaltos e 1 seqüestro, a resposta é:
Você vai fazer o que achar certo.
Não existe essa de “reaja” ou “não reaja”. Tudo vai depender do seu estado de espírito na hora. Se você saiu de uma festa, está com algumas cervejinhas na cabeça, reagir é o certo. Se você está consciente, está com a namorada ou alguma pessoa que possa correr algum risco, a resposta é não reagir. Mas, quem disse que isso é lei? Eu estou tirando exemplos da minha cabeça. Não sou o dono da verdade. Ninguém é. Hitler conseguiu comandar um massacre, Bush faz isso nos dias de hoje. Mas o pior massacre acontece longe da grande mídia. Apenas os casos mais brutais tomam as páginas dos jornais. Então essa é uma pergunta que não pode ser respondida.
E se a mãe do garoto tivesse reagido ao assalto? Poderia acontecer de os bandidos terem atirado nela, num braço ou numa perna, se contarmos com a sorte, daria tempo da irmã tirar o garoto do carro até os desgraçados conseguirem arrancar. Ela estaria ferida, mas todos estariam relativamente bem.
Futuro? O que é isso?
Qual será o futuro dessa família?
Agora o nosso querido e recém eleito presidente diz que “redução da idade penal não soluciona a violência”. Então, nosso querido presidente, nos diga, do ápice da sua sabedoria, sua intelectualidade presidenciável, o que é que soluciona a violência? Num caso desses eu acho que a lei do “olho por olho, dente por dente” é bem razoável, pra não dizer “punição perfeita”.
Arrastou o garoto? Vai ser arrastado também. Mas com o cuidado de mantê-los vivos durante todo o trajeto, e depois deixar apodrecer em algum canto. Feridos, sem comida, sem água, enfrentando o inferno antes do julgamento final.
A Fernanda me falou que o que a deixa tranqüila é que “aqui se faz, aqui se paga”. Eu não tenho a menor dúvida de que esses caras já estão mortos, apenas não sabem ainda. Mas, mesmo assim, a vida do garoto não vai voltar. A vida daquela família nunca mais vai voltar ao normal. Ele não volta mais pra escola, ele não vai mais poder repetir de ano, ele não vai mais poder ser demitido de algum emprego no futuro ou brigar com a namorada pra depois fazer as pazes, porque o futuro não existe mais.
Futuro?
É… O futuro não existe. O que existe é o agora. Então, lembrando aquela frase ridícula do primeiro grau: “curta a vida porque a vida é curta”, e pode ser mais curta do que a gente imagina.
Have a nice life!
PS: Tudo isso aconteceu porque um ser humando se achou superior ao outro e decidiu se apropriar de um bem alheio. Não satisfeito, ainda se viu no direito de torturar até a morte um de seus semelhantes. Todos somos iguais, todos somos frutos de uma mesma origem. Ninguém é melhor ou superior a nenhum outro indivíduo, independente da espécie. Pena que tem gente que não sabe disso, ou faz questão de não querer aprender.
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Chris
Me deixou emocionada com o seu relato , a sua análise sobre o futuro, fundamnetando-se na trágica morte de um inocente , uma criança de seis anos.É verdade, para ele não haverá futuro.Mas haverá o futuro?Para quem?Ninguém jamais saberá?Só quando acordar no dia seguinte, os que se vão durante a noite amanhecem sem futuro.
Gostei, gostei muito do que vc escreveu e do jeito que escreveu.Vc é um jornalista nato!É um articulista, um analista do cotidiano.Um cara inteligente! E completo, fotografa muito bem, também!Parabéns!
Tereza Machado(Momis)
Comment by Tereza machado — 11 de fevereiro de 2007 @ 23:43
concordo plenamente contigo. vai virar jornalista? hehehe
beijão
Comment by Fê — 12 de fevereiro de 2007 @ 09:03