Ouvindo: Smashing Pumpkins – Adore
Seguinte. Estou divulgando algo que a minha grande estrela Dani está organizando.
Segue abaixo as palavras dela:
Neste Natal eu deixarei de ser reclamona com meus próprios problemas. Vou abandonar o feudo do egoísmo e vou pensar nem que seja uma vez no ano em pessoas que precisam de muito mais que uma agenda do Bob Esponja…
Este ano eu vou contribuir para o Natal do Ofanato O Samaritano, que fica no bairro Rubem Berta, aqui em Porto Alegre.
O lar, que atende meninos em situação de risco na rua ou na família na faixa etária de 2 até 17 anos precisa muito de ajuda.
Eles precisam de comida, material escolar, roupas e calçados.
Enfim, qualquer coisa pra eles é muito.
Cobertores, roupas, material de limpeza, higiene, material escolar.
Tem uma roupa velha? Aquele teu moleton tem um furinho? Pra eles é novo!
Tem um caderno feio e fora de moda, mas sem um risquinho só?? Eles não têm nada!
Tem um tênis cheio de mofo dentro do armário? Dá uma limpada e DOA!
É mulher, e o orfanato atende apenas meninos? Têm 3 senhoras que cuidam deles. Um baita trabalho todo dia por um salário mínimo! Elas também precisam.
Então. Eu ajudarei.
Se quiser ajudar, me avise! Sério, vamos arrecadar tudo até o dia 19/12. Se alguém tiver qualquer coisa pra doar, eu estarei recolhendo.
É isso. Quando a galinha é boa, o pinto cresce.
E eu me sinto muito melhor fazendo o bem. Nem que seja pelo menos no Natal.
Pros pessimistas:
Não, obviamente não muda o mundo dos condomínios feudais, das calças Ellus à 200 reais. Mas muda o meu dia. Muda a minha consciência. Pensar em ajudar me faz esquecer meus problemas bobos.
Beijos e qualquer coisa me fala pelo e-mail: danikrugets@gmail.com
Ouvindo: Jesu – Silver (EP)
Às vezes é melhor não ajudar do que ajudar.
Acabei de comprovar isso.
PS: Ontem fiquei até 3 e pouco trabalhando em algumas músicas. Acho que está cada vez mais perto o dia de lançar algo.
Ouvindo: Pink Floyd – The Final Cut
Como de costume, todo o domingo eu pego a Zero Hora e vou direto ao que interessa:
Veríssimo
Não existiu um domingo sequer, até hoje, que algo que estava escrito ali não me ajudou de alguma maneira. Sempre existe algo de bom para se tirar da coluna dele. Hoje a história foi de um filósofo que, por causa da idade e da falta de paciência do mundo à sua volta, optou por conversar com a única pessoa que tinha tempo para suas divagações, e esta pessoa é seu cachorro, também já idoso, talvez ficasse porque não ter força suficiente para sair dali naquele instante. Mas, como Veríssimo deixa escapar propositalmente, “ao menos as palavras chegam a um destino.”
Levantei relativamente tarde, porque acabei indo dormir relativamente tarde depois de muita conversa boêmia. Seguindo o script escrito por eu mesmo, comecei organizar a agenda do dia, listando o que eu faria antes do meio dia, o que eu faria após o meio dia. Tenho um pouco de serviço, tenho que estudar mais e mais desenho, tenho que dedicar tempo aos amigos, tenho que começar a escrever um livro, tenho que, tenho que, tenho que… Sabe de uma coisa? Tenho é que fazer nada hoje!
Calor de 33°C, optei por começar escutando um CD deitado no sofá. Peguei o Mer de Noms, do A Perfect Circle, na terceira música minha tia foi me chamar pra almoçar. Pela primeira vez na semana, eu ela e o Gabriel comemos juntos na mesma mesa, algo que deveria ser uma celebração diária pela vida que nos é oferecida.
Bom… Agora qual o motivo de resolver fazer isso? Bom… Tudo influencia na nossa vida. Lendo A Bruxa de Portobello, vou viajando na história de Sherine Khalil ou, como ela gosta de ser chamada, Athena. Nossa vida é um livro e, como todo livro, melhor, como toda literatura seja qual for o assunto, quando existe, mesmo neste mal atualizado blog, existem espaços em branco entre as palavras. São lapsos, fendas onde não temos nada além do silêncio. Minha vida se funde um pouco com a de Athena, eu procuro preencher os espaços em branco, que são necessários, com alguma coisa. Hoje, domingo, deveria ser um espaço em branco, principalmente pra quem vive e trabalha no mesmo lugar, come, dorme, se diverte. Um espaço em branco na mesma página. Chega de inventar coisas! Que tal aproveitar um pouco o espaço em branco?
O filósofo tinha dito:
- Pensando bem, a morte é uma dádiva.
E o cachorro:
- Desenvolve.
O filósofo olhou em volta. Quem dissera aquilo? Perguntou para o espaço em vazio:
- O quê?
Não havia dúvida, quem estava falando era o cachorro. O filósofo hesitou, limpou a garganta, depois disse:
- Bem, não é exatamente uma tese. É mais um consolo.
- Como assim?
O cachorro já falava sem abrir os olhos.
- Você já pensou – disse o filósofo – se nós vivêssemos para sempre? Estaríamos obrigados a entender o Universo. As razões da existência, o sentido da vida, essas coisas. Como são incompreensíveis, viveríamos com a permanente consciência de nossa incapacidade, de nossa insuficiência mental. Do nosso fracasso. Seria uma angústia eterna.
Se vivêssemos eternamente, teríamos a eterna busca pelo preenchimento dos espaços em branco. Quem almeja a felicidade buscaria mais felicidade, quem quer dinheiro iria sempre procurar como ter mais dinheiro. Os suicidas ficariam tentando dar um fim à sua própria vida eternamente. Eu veria o petróleo acabar, o homem não se contentar em explorar apenas este Universo, e tentar descobrir outros universos, o universo paralelo, seja lá qual for, se existir.
Mas algo fica para o sempre, uma parte de nós vai viver eternamente: o nosso ensinamento.
Essa semana me senti uma das pessoas mais importantes, transferi parte do meu conhecimento para três pessoas de quem gosto muito. Eram dúvidas técnicas sobre equipamento fotográfico. Uma queria saber as diferentes nomenclaturas usadas pela Canon, outra queria saber o que significava SLR e, a mais nova aluna, queria saber apenas tudo. Às vezes eu acho que nasci pra ser professor, assim como agora acho que nasci pra ser escritor e, quando estou trabalhando, acho que nasci pra ser designer. Ah! E quando estou ensaiando, acho que nasci pra ser músico. Então parece que eu vivo nos espaços em branco! Nossa! Acabei de descobrir isso neste exato momento!
Na real toda esse texto começou a ser desenvolvido ontem a partir da palavra viewfinder, que para os leigos significa “o visorzinho por onde a gente vê a mira da câmera”. Nas digitais compactas muitos nem sabem pra quê serve aquele visor. Pra mim, a única utilidade daquilo é quando estou com pouca bateria e não tem como recarregar na hora, daí eu desligo o visor LCD pra conseguir tirar mais algumas fotos.
Vou estender um pouco o assunto para ver ajudo mais alguma pessoa a se interessar por fotografia e, talvez, se tornar um futuro Cartier-Bresson. Imagina alguém que eu ensinei os princípios básicos se tornar um bom fotógrafo? Excelente!
SLR significa “single lens reflex”, onde temos apenas uma lente, que é por onde entra a imagem que vai ser captada e, através de um conjunto de espelhos, essa mesma imagem é exibida no viewfinder. Ou seja: temos exatamente a imagem que vai ser captada.
Nas câmeras compactas isso não acontece, porque a imagem captada pela lente vai para o filme, ou sensor no caso das digitais, e o que vemos pelo viewfinder é uma projeção de o que pode vir a ser aquela imagem. Vou dar como exemplo a minha câmera, que é uma compacta:
Quando vou fazer uma macro, a imagem que aparece no viewfinder não é igual à imagem captada pelo sensor. Pelo viewfinder de uma compacta eu vejo o objeto de perto, mas ele faz um caminho diferente e, consequentemente, chega aos meus olhos uma imagem diferente, um pouco mais à esquerda e acima. Além de que o fundo, no caso do exemplo que eu usei, não fica distorcido assim como você vê no resultado final.
Esses dias uma pessoa me falou uma frase, e eu disse “não concordo”, porque eu estava olhando pelo viewfinder, estava olhando pelo meu ponto de vista. Daí, após algum tempo, essa pessoa me explicou tudo, e eu falei “é, tu tá certa”, porque a partir da explicação meu pensamento seguiu o mesmo caminho que a imagem de uma SLR faz, e eu vi exatamente como as coisas estavam acontecendo e que finalmente aquela frase, que antes parecia meio sem nexo, se tornou algo verdadeiro para mim também.
Conversando com outra pessoa eu falei que às vezes temos que descobrir o que é realmente defeito de fabricação e o que é o produto do medo de algum indivíduo. O que eu chamo de “produto do medo” é a maneira como uma pessoa age em defesa própria, por não acreditar no sentimento alheio e ter medo de sofrer mais. Nenhum defeito leva a algo grave, mas os produtos do medo podem destruir sentimentos verdadeiros.
- A recusa da morte é a mãe da filosofia. A idéia de deixar de existir é profundamente repugnante para o nosso amor-próprio. Aceitando a morte como um consolo, como um álibi, eu também estou me livrando desta absurda pretensão do meu ego, que é a de que eu não posso simplesmente acabar. Logo eu, de quem eu gosto tanto. Por isso se inventam religiões, e mil e uma maneiras de a vida continuar, nem que se volte como um cachorro.
- Epa.
- Foi só um exemplo. Mas eu renuncio à filosofia, renuncio a toda especulação sobre o mistério de ser e aceito o meu fim. Estou pronto a pensar no Universo e na morte como um bicho.
- Mas eu nunca penso no Universo ou na morte.
- Exatamente. Porque você não sabe que vai morrer.
- Fiquei sabendo agora. Obrigado, viu?
- É isso que eu quero. Essa sábia ignorância, essa burrice caridosa… Podemos até trocar de lugar, se você concordar. Lhe dou todas as minhas especulações, minhas teses, meu ego e a minha angústia, em troca de sua paz.
- Eu acho que sua família não aprovaria. E não sei se eu ficaria bem de cardigã.
Lógico que Veríssimo pode dar um fim melhor à história, e deu, mas não quero que descubram através das minhas citações.
A Zero Hora publicou a coluna online neste link. Clique aqui pra ler todo o texto
Agora chega!
Pra quem queria ficar o domingo sem fazer nada, eu acabei traindo a mim mesmo.
Então chega de traição!
Ouvindo: Tori Amos – Blood Girl (bootleg)

Todos nós sabemos que o tempo nunca para
Ele anda mais devagar quando estamos com algum problema
Ele anda muito rápido quando estamos em nosso microscópico paraíso existencial
Mas, os ponteiros do relógio nunca param de andar
O ponteiro dos segundos é o mais rápido
A cada segundo ele dá um passo
Já o dos minutos anda
Mas um passo a cada minuto
E o das horas…
Eita ponteiro preguiçoso!
Um passo a cada hora
Qual ponteiro você é?
Ou qual você está lutando pra ser?
Não quero ser o dos segundos
Não quero que nada passe rápido demais, porque todos os momentos devem ser curtidos
Tanto os ruins
Quanto os bons
Todos os momentos nos ensinam
Todos são uma descoberta
Ou uma redescoberta
Também não quero ser o das horas
Porque as emoções não aconteceram
Tudo passa devagar demais
E vou deixar de viver muitas coisas por ficar demais onde estou
Já o dos minutos…
A cada minuto uma descoberta
A cada minuto um ovinho novo
A cada minuto alguém nasce
A cada minuto alguém morre
Eu nasci
Eu vou morrer
Mas entre o meu primeiro segundo e a minha meia-noite
O caminho é grande
Já percorri parte do caminho
E ainda tenho boa parte a percorrer
A cada minuto uma descoberta
O que vai ser do futuro?
Quantos já percorreram suas quase 24 horas e não aprenderam nada?
Quantos acham que existe algo de bom em se fazer coisas ruins?
Quantos?
O tempo passa…
“Todos esses que aí estão, atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho…”
Mário Quintana
PS: Palavras jogadas para o ar não são para uma pessoa, são para todas.