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23 de junho de 2006
Escutando: Black Box – Wax Trax! Records: The First 13 Years
Logo após a morte do Bussunda muita gente escreveu muita coisa sobre morrer jovem, não se cuidar, exercícios físicos, etc. Porém eu acho que a Martha Medeiros, na sua coluna da Zero Hora do dia 21/06, expressou tudo o que eu penso sobre esse evento tragicômico:
A morte é uma piada
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?
Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Try
E, pra os desavisados de plantão, um vídeo que resume o que é uma pessoa viver apenas em pensamento:
Try: A Short Film, by Jonas Åkerlund
PS: Esse vídeo também existe no DVD do Smashing Pumpkings: 1991-2000.
Escrito às 20:51 | Link |
19 de junho de 2006
Escutando: The Cure – The Cure
Blog é uma das coisas mais fantásticas dos últimos tempos. A última invenção do homem em termos de compartilhar sentimentos, saber que o próximo sente a mesma coisa que sentimos (ou a própria traição dos sentimentos). É aquele filme que te deixou pra baixo, com sentimento de mágoa, lembrando tudo o que as pessoas fizeram pra você e você esperou o tempo curar. É aquela música que fez você pular e esquecer do filme que viu no dia anterior. É saber que todos nós andamos juntos, mas em ritmos diferentes. É saber que nossos corações continuam batendo firme e forte, e que continuam a ignorar todas as substâncias que nosso cérebro insiste em liberar e permanecem batendo algumas dezenas de vezes por minuto. É o ser humano nas horas que cansou de lutar contra ele mesmo. E assim a vida continua.
Get your fucking world out of my head
“There is no terror in my heart
Death is with us all
We suck him down with our first breath
And spit him out as we fall
There is no terror in my heart
No dread of the unknown
Desire for paradise to be…
We love this on our own”
The Cure, Us Or Them
Eu não consigo aprender com meus próprios erros. Não consigo seguir meus próprios conselhos. Mas eu sou assim. Fazer o quê?
Sabe quando você tem um disco que não gostou? Aquele que você pensa “como é que uma banda dessas lança algo desse tipo?” Isso está acontecendo neste exato momento com The Cure, o décimo quinto disco de um Robert Smith acima dos 40. Tipo, depois de um dia como esse, em que tudo pareceu dar certo e errado ao mesmo tempo, descobrir que você tem uma pérola escondida no fundo do seu baú é descobrir que a felicidade pode morar no lugar mais obscuro do seu quartinho.
Segredos continuam mantidos em segredo, e assim a vida continua.
Hoje, durante 5 minutos de folga no serviço, escrevi uma poesia pensando em publicá-la aqui ainda de tarde. Ainda bem que não fiz, que deixei o fluxo me levar e, como posso dizer, foi bom. Me sentiria mal se tivesse compartilhado aquelas palavras sem nexo aqui. Ainda tenho uma poesia que o Taco escreveu enquanto estava bêbado dia desses e é, como eu escrevi ali em cima, a gente ver que todos continuamos caminhando junto.
Years go by
“I can’t fly I never really could
I don’t feel you ever really understood at all
I can’t fly I never really could
I just throw my arms out as I fall”
The Cure, Fake
Essa semana tem teste com novo baterista na banda. It’s so exciting!!!!!!!!!!! Tem um carinha que vai tocar guitarra também, e eu tô louco pra ver o que é que vai sair. Penso muito em ter 4 elementos na banda, pra sonoridade ficar mais poderosa. Uma coisinha que eu adoro é quando existe a mistura de guitarras pesadas com piano. Existe um corte existencial em dois instrumentos completamente opostos. No momento mais heavy de uma música entrar um piano com poucas notas cortando toda a fúria, ou entonando-a de maneira lírica. Espetacular!
Que venha o estúdio! Quero tocar e gritar mais alto que o som do apocalipse final! Quero ficar surdo, mas feliz!
PS: Ozzy, você precisa escrever mais naquela porra de blog!!!!!!!!!!
O que foi esse post? Não pergunte pra mim…
Roubando a frase da Vanessa: “Desculpa mundo por ter nascido!”
Prometo ser um menino mais comportado daqui pra frente.
Escrito às 20:58 | Link |
14 de junho de 2006
Escutando: LCD Soundsystem – LCD Soundsystem
Sepultura: *1984 – †2006
The dream is dead
Travelling through the time
Moving slowly in the sand
Aconteceu o que já deveria ter acontecido há muito tempo. Sr. iGGor Cavalera, DJ respeitadíssimo nas casas do ramo, deixou de lado as baquetas da banda que levou ele à fama. Infelizmente, com essa atitude, temos exatamente o fim de uma era: Sepultura acabou! Aproveitem essa última tour para ver juntos sr. Andreas Kisser, sr. Paulo Jr. e Sr. Derrick Green. Eu pretendo ir no último show deles aqui no RS. Pretendo curtir todos os shows que tiverem pela redondeza porque, pelo o que tudo indica, this is the end.
Eu, como fã da banda desde 1992, já enchi a boca muitas vezes pra falar “eu tenho orgulho de ser brasileiro por causa do Sepultura”, fiquei triste, mesmo sabendo que a banda nunca mais seria a mesma tanto em criatividade quanto em popularidade como foi na época que eu conheci. Depois da saída do sr. Max Cavalera, exatamente a 10 anos atrás, o Sepultura nunca mais foi o mesmo. Com uma infeliz escolha, pegaram um cara carismático mas sem presença de palco e sem empolgação alguma em se tratando das músicas de uma das bandas que mudou os rumos do metal mundial. Podemos muito bem dizer que o mundo do metal se divide em antes e depois de Chaos A.D.
Chegou um carinha aqui em casa com um vinil dizendo “cara, escuta isso aqui!” E lá fui eu colocar Arise (Rough Mix) pra rodar. Adorei o som, mas não era tudo aquilo. Falando abertamente, existiam muitas bandas naquele estilo, assim como hoje ainda existem. Gostei mesmo! Comprei o disco na mesma semana, mas confesso que não tinha mudado minha vida ainda.
Dois anos depois aparece novamente Sepultura na MTV com o clipe de Refuse/Resist. Eu estava completamente dominado. O que era aquela introdução? As batidas do pequeno demoninho chamado Zyon Cavalera abrindo o que seria um dos álbuns mais importantes da minha vida. Logo após a batida estilo fim do mundo no começo da Territory. E Kaiowas, com toda a sua contraversão. Uma banda de metal gravando uma música no violão? Uma música que poderia ser muito bem usada como abertura do Globo Rural. Não encontro uma palavra para definir o Chaos A.D. Simplesmente a melhor coisa que já foi gravada em solo nacional. Tanto que muitas pessoas reclamam que o Sepultura continua até hoje com a tour desse disco.
As coisas por trás da máscara não são tão bonitas. Depois que eu comecei a me envolver com o crew da banda, e saber do que rolava nos bastidores, comecei a ver os caras mais como humanos mortais. Vendo eles no palco no único show deles com Sr. Max Cavaleira era como se estivesse vendo Black Sabbath com Ozzy Osbourne na década de 70. O show, que era junto com Ramones e Raimundos, foi algo espetacular. Uma banda completamente sincronizada. Quatro músicos transpirando Sepultura. Incendiando o público. Fazendo daquele show sem efeito algum algo surreal. Apenas uma banda hoje consegue atrair minha atenção sem qualquer efeito no palco: Slayer. No mundo de hoje, o espetáculo não é apenas a música. Agora as bandas tiveram que aderir a um conceito que o Pink Floyd trás como marca registrada desde o final dos anos 60: o espetáculo de luz, imagens, cores e música.
Roots, seu próximo álbum, pra mim não foi tão bom, mas mudou o mundo novamente. Assim como muitos haviam abandonado a banda após o Arise, alegando que a banda tinha perdido a identidade, que não era mais thrash, muitos começaram a idolatrá-la. Foi a partir daí que o Sepultura deixou de ser uma banda thrash qualquer e se transformou no “Sepultura do Brasil.” A partir daí que eles ganharam carta branca para tocar no Ozzfest. Com uma música no Nativity in Black, um clipe, Ratamahatta, produzido pelos mesmos que faziam os clipes do Tool, utilizando a tecnologia Stop Motion. Attitude, Roots Bloody Roots, dois outros clipes que trazem bem o que é ser uma banda metal-brazuca. Pena que tudo isso durou até ali.
Os desentendimentos com Gloria Cavalera, então empresária da banda e esposa de Max, fizeram com que ela fosse demitida na mesma época que seu filho Dana foi assassinado. Muita coisa, muitas discussões, e a bruxa verde, ou Yoko Ono do Brasil, conseguiu tirar o melhor frontman do metal da época de sua banda. E o Sepultura decide continuar como um trio.
A pirataria ao vivo dessa época faz sucesso até os dias de hoje. Muita gente paga pra ter uma cópia mal gravada de um show desses. Então no ano seguinte anunciam o novo centroavante: Derrick Green, ex-porteiro de boate, que dizia não conhecer o Sepultura e que hoje diz, após quase 10 anos morando no Brasil, com um sotaque execrável, “eu não gostar de metal.” Não dava pra esperar muito de uma banda onde o baixista, em termos de criação, é nulo, um baterista cada vez menos contente com o que faz, e um vocalista que não gostava do tipo de música de sua própria banda.
Até que o zumbi permaneceu por muito tempo. O mito, “Sepultura do Brasil”, se vai.
A new level
Das bandas top da época que eu gostava, apenas Type O Negative e Nine Inch Nails continuam na ativa e detonando. Pantera se foi, Alice in Chains também. A geração do começo da MTV brasileira está acabando aos poucos.
Então, depois te tudo, continuo torcendo por uma pessoa: Andreas Kisser. Ele foi a razão de o Sepultura ter existido nos dias de hoje. Ele foi o cara que levou tudo nas costas, que chamou o resto pra tocar, pra compor, e pra fazer mais um disco, aclamado pela crítica européia, com um clipe que poderia ser o melhor deles (a culpa inteira dos erros foi assumida pela produtora). Confesso que não escutei muito o Dante XXI por saber do que acontecia com a banda, e saber do descaso do Igor, ops, iGGor, e do Paulo na hora das gravações. Se é pra manter tudo nas costas, prefiro ver o Alemão num outro projeto, com músicos ’sanguenozóio’, loucos por fazer um novo Chaos A.D., um novo divisor de águas. Já falei uma vez e volto a falar: não quero um Chaos A.D. vol. II, e sim um novo disco que eu escute e pense “porra do caralho! Isso é a coisa mais foda que eu já ouvi!
Rest in peace, Sepultura: *1984 – †2006
Escrito às 21:52 | Link |
7 de junho de 2006
Escutando: Slayer – Cult (single)
Just a little reminder:
Escrito às 21:03 | Link |