Escutando: Depeche Mode – Violator
Aqui estou eu, são 10:25 da noite, sentado na frente de um notebook na minha cama emprestada, pensando sobre o que escrever e fazer com que tudo pareça estar normal ao meu redor. As pessoas tentam fazer eu sorrir, e muitas vezes conseguem, mesmo que o sorriso se perca dentro de alguns segundos e o sentimento de vazio volte. Quem disse que mudanças são fáceis? Elas até se tornam mais fáceis quando as pessoas certas estão ao seu redor. Não que os amigos nessas horas não estejam colaborando. Eles estão mantendo a minha sanidade intacta. Mas a sensação de “incompleto” permanece cada vez que eu me encontro sozinho.
Ontem, após uma paulada na cabeça direto na nuca por volta das 8:30 da manhã, o desespero veio. Eu não sabia o que fazer, pois as conseqüências de um ato até então inocente foram terríveis. Tudo ficou como se eu tivesse assassinado algumas pessoas, como se eu fosse o político corrupto que desviou milhares de dinheiros de um investimento público para a construção de um hospital infantil, como se eu fosse um maníaco, um drogado, um traste, alguém que ninguém conhece. Quem tem meu MSN pode notar que, pelo nome que eu estou usando, me sinto um monstro.
Eu sei que é o que muitos pensam. I am a monster! Eu sou um monstro insensível. Eu acabo com as pessoas, minhas atitudes ultimamente têm sido julgadas de maneira cruel por quem não entende o que se passa comigo. E a única pessoa que entendia profundamente não pode estar ao meu lado neste momento. Triste, mas é a realidade. As coisas ao redor mudam quando a gente muda, e eu achei que nada fosse piorar mais.
Antes de chegar aqui passei na estante para escolher um CD enquanto escrevo. Depeche Mode, em especial o Violator, foi uma banda que eu escutei muito quando criança. Sempre que eu saía junto com o Cilon no Opalão essa era a fita padrão. Sempre rolava World In My Eyes, Sweetest Perfection, Personal Jesus e, impossível esquecer, Enjoy the Silence. Até os dias de hoje, quando eu entro no meu carro e coloco esse disco, as lembranças são inevitáveis. Um túnel do tempo se abre diante dos meus olhos. Bons momentos…
Durante o dia meu pensamento era o que escrever no meu blog que não fosse tão pessoal, porque a sensação de voyeurismo no momento me assusta. A cada frase mal interpretada, tudo piora. Eu pensei em escrever novamente sobre o meu interior, mas acho que isso está ficando cruel demais. Mas peraí! Blog não é pra ser pessoal? Não é o meu espaço? Não…Esse deveria ser o espaço para as minhas idéias, e não a minha vida particular. Este não é o momento. Mas pretendo num futuro próximo expor tudo o que se passa (no futuro, vai ser “tudo o que passou”). Alguns vão ficar de queixo caído, outros vão me odiar, mas sei que existe gente que vai me apoiar.
Voltando um pouco no texto, eu cheguei à conclusão que deveria continuar o post anterior, fazer um parte 2 da teoria do “Eu”. Então peguei a personalidade mais óbvia do momento para escrever: Sir Bob Geldof.
Boomtown Rats
Esse cara começou numa banda punk dos anos 70. Boomtown Rats conseguiu chegar às paradas pela primeira vez em 1978, um ano após meu nascimento, com o single Rat Trap. Baseados numa tentativa de massacre na sua escola em San Diego, eles escreveram I Don’t Like Mondays, que Bob executou com perfeição no Live 8.
Após ver uma reportagem sobre a fome na Etiópia, Geldof, por muitos conhecido apenas como Pink por causa da sua interpretação no longa The Wall, baseado na obra do Pink Floyd, decidiu que faria alguma coisa sobre tudo isso. As idéias sempre surgem a partir de uma mente, mas precisamos de vários braços e pernas para fazer com que elas se concretizem, então ele e o Ultravox escreveram Do They Know It’s Christmas?
Bob deixou todo seu trabalho de lado para se dedicar ao projeto Band Aid, apoiado pelos mais importantes músicos britânicos da época. Essa foi uma idéia original, lançada muito antes do aqui-tão-famoso We Are The World.
Isso tudo aconteceu em 1980. Mas, em 2006, a revista Man’s Health publicou uma lista dos 10 homens mais importantes da última década. A lista é encabeçada pelo filósofo americano Homer Simpson, mas tem entre seus membros o carinha sobre o qual eu estou escrevendo. O quê Bob Geldof continua fazendo entre as pessoas com maior influência no século XXI? É que ele, junto com outro carinha mais ou menos conhecido chamado Bono, uniram forças para, 20 anos após o Live Aid, evento que uniu uma porrada de bandas em 1985 arrecadando dinheiro para combater a fome na África, fazer com que os líderes dos 8 países-potência (G8) repensassem sobre o perdão da dívida externa dos países africanos.
É uma história incrível, e é a mais pura realidade. Quem acha que uma pessoa não pode mudar o mundo é porque nunca abriu os olhos. E, se nunca abriu os olhos, por quê então se acha no direito de interferir na felicidade alheia?
Eu não sonho em ser um Bob Geldof. Eu não penso em mudar o mundo, apesar de desejar que alguém o faça, mas eu quero ver as coisas melhores para todo mundo que eu conheço. O meu mundo é pequeno, é um minúsculo grão de areia no deserto, mas muitas pedrinhas juntas formam uma duna, e essa duna pode servir de suporte para que alguém consiga ficar mais alto e ver além do que sua altura permite. Eu sou uma pedra ou um grão de areia? Essa resposta não reside em mim, mas sim em quem me observa. Então eu sou um monstro, um grão de areia ou uma pedra que quer rolar?
Dessa vez eu vou terminar com as minhas palavras mesmo. Tudo o que nós precisamos ouvir, independente do momento, está na letra de uma música. Se eu quiser ficar pra baixo, coloco uma música que me fez feliz em algum momento que não voltará mais, se eu quero ficar feliz, escuto uma música que faça com que eu me imagine dentro de um carro indo para algum lugar aonde ninguém irá me julgar.
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