14 de abril de 2006
So many things…. My job… Myself…
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Escutando: Tool – Salival

Decidi afastar a faca do meu peito. Por essa semana inteira eu resolvi ficar offline. Estou cansando de me martirizar, de esperar as coisas acontecerem.
Essa semana foi boa pra mim. Está longe do dia dos bobos, mas foi muito boa.

Virtualização
Nunca achei espaço aqui pra falar do meu serviço. Aliás, desde quando eu decidi recomeçar o blog, nunca aconteceu nada de importante que fizesse eu me inspirar e escrever algo sobre. Essa semana foi boa. Muitos planejamentos, muitas descobertas. Quando você trabalha com tecnologia, as coisas voam. E é o que aconteceu essa semana.

Segunda um dos servidores foi liberado. Resolvemos então testar algo que fazia tempo que queríamos, um sistema chamado VMware. É uma das coisas mais incríveis que eu vi ultimamente. Estamos testando a versão ESX, que consiste em um servidor, onde tu cria vários servidores virtuais dentro dele com seus switches e toda a segurança de uma estrutura física.
É estranho comentar isso, mas nossos testes consistiram em rodar apenas dois “servidores” ao mesmo tempo: um Windows 2003 e um SCO Openserver 5.07. Acessando ambos remotamente, tu não diz que são máquinas virtuais. O servidor Windows, acessado via Terminal Server, estava muito rápido. Grande detalhe: consumindo apenas 1% dos recursos do servidor físico. Pelo o que eu entendi, essa maravilha toda se dá porque o VMware libera apenas o hardware necessário para que o sistema funcione. Olhando pelo Gerenciador de Hardware do Windows 2003, nota-se que o VMware não entrega nada do hardware. E, pelo pouco que eu usei até agora, aí é que está a carta na manga.

Uma das coisas que eu mais gosto de trabalhar lá na empresa são as pessoas que estão em volta. Dois caras que trabalham comigo são muito retardados. Tipo, o que rola é que todo mundo quer correr na frente. A melhor coisa é tu perguntar pra algum deles “tu sabe fazer tal coisa?” Tenha certeza que, 15 minutos depois, ele saberá. Tem uma frase que eu sempre digo que é “entre o não saber e o saber só precisamos de um espaço de tempo de 15 minutos.” Muita coisa as pessoas me perguntam e eu digo “peraí que eu te respondo”, vou atrás pra saber como as coisas funcionam na teoria e na prática, e faço ou explico como se já soubesse disso há muito tempo. Ganho muitos elogios por causa disso. Ganho também a confiança das pessoas. Pena que tem gente que abusa, mas isso faz parte. Sempre vão existir preguiçosos que querem que os outros façam tudo para eles. Essas pessoas estão destinadas a morrer dependendo dos outros.

Legal foi que, pesquisando em fóruns, as respostas eram unânimes: VMware ESX não roda SCO Openserver 5.
No mesmo dia tínhamos o Openserver rodando dentro do VMware. O pessoal que foi oferecer o produto garantiu que não funcionava. Tudo bem que não é suportado oficialmente, mas já fizeram drivers pra ele reconhecer o hardware disponibilizado na máquina virtual. Só sei que, nos testes, tudo rolou 100%. Agora é partir pro quente. Então a diversão na semana está garantida (ao menos no horário das 8 da manhã às 6 da tarde)!

A lua
Esse período offline, mesmo que curto, foi bom pra mim. Eu andava meio neurótico. Eu esperava o MSN piscar com alguma surpresa, ficava abrindo o flip do celular de 15 em 15 minutos pra saber se não tinha mensagem (talvez eu não tivesse escutado aquele estrondo que dá quando chega mensagem), cada vez que o telefone tocava eu esperava atenderem, e então ficava esperando que a ligação fosse pra mim. É, meu caro amigo, mesmo sem querer me pergunto todos os dias: o que fazer quando não se pode fazer nada? Devo correr atrás do que eu quero, mesmo sabendo que não será nada fácil? Devo ficar sentado com a boca escancarada e cheia de dentes esperando a morte chegar? Devo ir até o fim? Será que não é cedo demais pra decidir qualquer coisa?

Ontem, depois do churrasco na casa da Dulce (não se preocupem, continuo 100% death free na alimentação, comi apenas queijo e pão assado com alho), fui largar o Adriano em casa e, como estava na Riachuelo, resolvi ligar pro Rodrigo pra saber se ele queria carona. Foi engraçado, porque eu estava na sinaleira, puxei o celular e liguei pra ele. A sinaleira abriu no mesmo instante que ele atendeu o celular. Perguntei rápido: tu vai pra casa agora? Tô na Riachuelo! Se a resposta for sim eu vou reto, se for não eu vou dobrar à esquerda na Borges. Ele falou “tá, tô saindo” (não lembro se foi exatamente com essas palavras). Isso o pessoal já começando a businar. Segui reto, e de lá fomos pra Reública. Acabamos parando num barzinho chamado Yung. O Rodrigo falou “vamos ali no Neil Young”, e eu achei que esse realmente fosse o nome do bar, hehehe.

A primeira e a segunda Polar estavam apenas congeladas, fomos obrigados a pedir pra trocar a segunda, porque a primeira não tinha descido legal. Conversamos sobre a vida, o Rodrigo ficou apaixonado durante… hmmm… 15 segundos pela garota da mesa do lado. Encontramos o GT, aliás, ele encontrou a gente, e também bebeu um pouco com a gente, e falou que tá tocando numa banda cover de Nirvana chamada Bleach, e que eles vão tocar sábado em algum lugar. Acho que é o Garagem Hermética, ou no Jekill, não lembro. Mas, quem vagar por Porto Alegre hoje e achar o bar, coloca um comentário. Também descobri onde o Seco (não é o carinha que foi preso, não se preocupem, esse é outro Seco) trabalha. Ele até viu a gente, mas como o bar estava muito cheio, não deu pra conversar.

Afastando a faca definitivamente
“We’re gonna need your help
We’re gonna need your help
and your permission,
so we need you to find
a comfortable space,
that is not only comfortable,
but vulnerable.
I want you to shut your eyes and go there,
and we’ll meet you on the other side”

Eu preciso de uma resposta. Hoje decidi que vou atrás dessa resposta. Meu pobre coração não aguenta mais esperar.
Às vezes eu acho que fui vítima do dia 1º de abril, conhecido como “Dia dos Bobos”. Nunca achei que as respostas pra algumas coisas pudessem vir de uma música do Stone Temple Pilots, sempre achei as letras meio idiotas, mas o som extremamente envolvente. Scott Weiland é um cara que aparenta ser ainda do puro Rock and Roll, onde a mensagem não interessa, e sim o balançar dos corpos na pista de dança, mesmo que essa pista seja o seu quarto vazio. A música é Interstate Love Song. Por favor, me diga que essa música não é sobre o meu momento atual, que ela não condiz com a minha realidade. Que o Context Sensitive realmente funciona e assim que eu apertar o botão B do controle do Nintendo 64 o Conquer vai me dar tudo o que eu preciso. Eu sou um tolo? Meu sonho foi apenas um sonho? Será que foi inteligente eu me abrir?

Nada pode ser mais cruel que o silêncio
Ele machuca
As feridas que ele cria não cicatrizam tão fácil
E cada segundo entra no meu espaço vulnerável como uma bala perdida
Você sabia que até as balas perdidas trazem uma história por trás?

“Nós vamos precisar de sua ajuda
Nós vamos precisar da sua ajuda
e da sua permissão,
para então encontrar
um espaço confortável,
que não seja apenas confortável,
mas também vulnerável.
Eu quero que você feche os olhos e vá para lá,
e nós vamos nos encontrar do outro lado”

Maynard James Keenan

Meu horóscopo de hoje diz:
“Se dê um desconto, escorpiãozinho. A Lua transita pelo seu signo levando-o numa nova onda de emoções. Se está difícil se expressar pelas vias habituais, esqueça as palavras e parta pra pantomima, língua dos sinais, telepatia. Tudo vale. O que importa é a intenção amorosa. Convide a tal pessoa pra passear no seu carrossel sentimental.”

Então faço das palavras do MJK as minhas, e nós vamos nos encontrar do outro lado.



Escrito às 16:54 | Link | | Comments (0)
9 de abril de 2006
Nasrudin
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Escutando: Stabbing Westward – Wither, Blister, Burn + Peel

“Não importa fingir-se de tolo”, foi assim que Paulo Coelho começou a sua coluna no jornal O Sul de hoje.

Quanto mais eu leio mais me dá vontade de escrever. Muitas, mas muitas coisas mesmo, parecem se encaixar quando você está disposto a apenas ver o lado positivo das coisas. Eu sei que, quando você está pra baixo, muitas coisas negativas são absorvidas. Mas, como eu sempre digo: “There is a part of me that never let me down”, afinal, como o nome do blog diz: “I am my own placebo”.

A festa reuniu todos os discípulos de Nasrudin. Comeram e beberam por muitas horas, e conversaram sobre a origem das estrelas. Quando já era quase madrugada, todos se prepararam para voltar às suas casas.
Restava um belo prato de doces sobre a mesa: Nasrudin obrigou os seus discípulos a comê-lo.
Um deles, porém, se recusou.
“O Mestre está nos testando”, disse. “Quer ver se conseguimos controlar nossos desejos.”
“Você está enganado”, respondeu Nasrudin. “A melhor maneira de dominar um desejo é vê-lo satisfeito. Prefiro que vocês fiquem com o doce no estômago – que é seu verdadeiro lugar – do que no pensamento, que deve ser usado para coisas mais nobres.”

Desejos… Quem não os têm? Eu mesmo agora gostaria de estar num apartamento só meu, com a Nala mordendo meu calcanhar, como faz costumeiramente, a Kiara pedindo mais comida e uma janela com a vista para algum lugar bonito, que transmitisse tranqüilidade. Desejo ter um carro melhor, não pensar tanto em problemas, e algumas cousitas mais. Meus desejos para o futuro são: aproveitar ao máximo cada segundo.

Tolo
Quando se dirigia até ali para pedir esmolas, as pessoas costumavam lhe mostrar uma moeda grande e uma pequena: Nasrudin sempre escolhia a pequena.
Um senhor generoso, cansado de ver as pessoas rirem de Nasrudin, explicou-lhe:
“Sempre lhe oferecem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro, e não será considerado idiota pelos outros.”
“O senhor deve ter razão”, respondeu Nasrudin. “Mas se eu sempre escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que eu sou mais idiota que elas. E, desta maneira, não poderei mais ganhar meu sustento. Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que está fazendo é inteligente.”

Eu não tenho medo de me passar por tolo. Adam Sandler faz isso em todos os seus filmes e está de bem com a vida. Eu acho que os tolos têm seu charme especial. Todas as pessoas adoram Adam Sandler, incluindo eu.

Qual é o seu personagem favorito em Wayne’s World?
Se essa pergunta fosse feita pra mim, seria muito fácil responder: Garth.
Por quê? Por que ele é o mais idiota dos dois ou por que ele idolatra Alice Cooper?
A resposta é mais fácil ainda: porque eu me identifico com ele.

Enquanto o Wayne está empolgado com a idéia de ter conhecido Cassandra, Garth quer mais é curtir um bom e velho Jimi Hendrix numa elegante jukebox. O legal dessa história é que, como bons amigos, Garth não se importa de ir atrás da Cassandra junto com Wayne, porque ele não tem medo do futuro. O que vier, pra ele, está bom. Lógico que ele também tem seus desejos. Ele dança Foxy Lady para a loira dos sonhos. Mas, ela é dos sonhos, não?

I had a dream
“Um noviço não deve ser expulso por suas faltas. Quando alguém faz um esforço para melhorar, isto deve ser apreciado e honrado por todos.”

As coisas não acontecem por acaso. Ontem eu estava lendo uma edição da revista UMA de 2004. Nela fala sobre o motivo das pessoas temerem as mudanças. É natural do ser humano não mudar. Temos exemplos todos os dias disso na nossa sociedade. Quer o exemplo mais grave deles? O nosso governo. O negócio está ruim, os políticos roubam muito, mas o povo não está nem aí, porque ele tem que ver sua novela e seu futebol. Ele não troca o canal pra ver coisas diferentes, ampliar seus horizontes. O que passa na TV Cultura no mesmo horário da novela das 8? Não me pergunte, porque eu não assisto TV, mas é interessante ver todos os dias as pessoas feito zumbis na frente daquela caixa que emite aquelas luzes coloridas.
Confesso que estou sendo meio radical nessa minha mudança. Um novo endereço faz sua cabeça pensar diferente. Minha rotina mudou. Minha mente está em constante mutação. As cores do mundo mudaram. O que era cinza se tornou azul. O Sol não nasce mais diretamente na janela do meu quarto. E os dias passaram a ser mais longos. Estou indo dormir praticamente no mesmo horário, mas acordando mais cedo. Acordando mais cedo pra quê? Caminhar. Meu novo hobby.

Greenpeace fits me nice again!
Ontem eu saí com uma camiseta que eu não usava faz tempo. Uma que eu comprei pouco após descobrir Marilyn Manson. Eu vesti e saí com ela pela rua, ninguém me olhou de canto de olho. A camiseta está meio desbotada, assim como a do Joy Division que eu estou agora, mas me sinto bem com ela.
Na última vez que eu estive na praia, me pesei e estava com 78 quilos. Ontem eu me pesei de novo, estou com 69. Hmmmmmmmmm… Número sugestivo, não? Esse mix de nervosismo + falta de apetite + caminhadas fizeram eu perder alguns quilinhos básicos. Eu até sinto meu rosto um pouco menos inchado, e tem gente que já falou que me acha mais magro. Check point!
Revisitando as roupas que não me serviam mais, parou nas minhas mãos uma bermuda, que já foi uma calça, do Greenpeace. Mas que dúvida! A caminhada de ontem foi com ela. Acordei um pouco mais tarde, por volta das 8:30, vesti meu tênis, que tá começando a pedir água, essa bermuda, a camiseta do Duas Mãos Quatro Patas, a garrafinha de água do Gabriel e achei o rumo da rua.

Play the guitar on the MTV
Outra companheira que está ao meu lado neste momento é a querida Ibanez GRX20, minha guitarrinha. Qual a primeira música eu toquei após afiná-la?
a) Wish You Were Here
b) Comfortably Numb
c) Tema do Doom 3
d) Breathe You In
e) Weak and Powerless

Quem respondeu Breathe You In, tenha certeza que acertaria se eu soubesse as notas, mas a primeira música que eu toquei começa com “Hello… Is there anybody in there?”, formalmente conhecida como Comfortably Numb. Ela não saiu perfeita de primeira, porque quando chega na parte “There is no pain, you are receding” eu não lembrava qual nota vinha depois do D.
A seqüência das primeiras frases é barbadinha: B – A – G – G/D – E, e assim repete.
O refrão eu lembrava que era: D – ? (repete) C – G (repete)
Mas qual é a segunda nota? Depois de pensar um pouco, fazer algumas combinações, eu vi que a segunda nota é a mesma segunda nota das primeiras frases, então ficou: D – A (repete) C – G (repete). Facílimo.

Mas… Como nem tudo é perfeito, faltava uma coisinha: uma palheta. Estou sem palheta alguma aqui. Tenho duas palhetas de estimação. Uma delas foi a que eu consegui no show do Nine Inch Nails. Não é do formato que eu gosto, mas trás boas lembranças. A outra é uma roxinha, excelente, perfeita, mas que não está comigo agora. Essa roxinha esteve comigo por muitos anos. Eu já perdi ela umas 3 ou 4 vezes, e ela sempre reaparecia em algum lugar. Quem sabe ela não reaparece de novo?
Sábado o Buda me deu um conselho legal. Quando ficamos um de frente para o outro, ele olhou pra mim com uma cara de deboche, segurando o riso, e falou:
“Calma criança!
Dê tempo ao tempo, e tudo se resolverá.”

A palheta vai voltar, trazendo na mochila milhares de outras coisas boas.

“Não há nada e errado em se passar por tolo, se na verdade o que está fazendo é inteligente.”



Escrito às 16:07 | Link | | Comments (1)

Ooosssssssssssssssssssssssss!
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Escutando: Rammstein – Rosenrot

Tava vindo aqui pra LAN, andando pela Riachuelo, após pegar uma caroninha com a Juci, quando passo por um colégio e… Quem está na frente?

Meu coração bateu mais forte.
Meus olhos não acreditaram.
Pode chutar aí! Quem tu acha que era?

Ninguém mais ninguém menos que?

Que?

Que?

KYO!!!!!!!

Isso mesmo! Kyo Kusanagi! Do KOF! Eu até nem fui cumprimentar ele porque tenho certeza que ele me daria um 3 hits (voadora > soco > raio) e, como eu tô meio indefeso ultimamente, perderia o round direto.

Nessas horas é ruim não ter uma digicam por perto.

Os ‘straights’ que me desculpem, mas eu acho bala pra caralho um cosplay.

Neste exato momento começou a tocar With Teeth, a música. GRAAAAAANDE momento!!!!
O show do NIN foi foda! Preciso urgente de outro!



Escrito às 03:06 | Link | | Comments (0)
8 de abril de 2006
I have been lost…
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Escutando: A minha respiração

Eu estive perdido por algumas horas…
Por alguns dias…
Por alguns meses…

Eu andei pensando ‘o que foi que eu fiz?’
Por quê eu fiz?
O que foi que eu fiz…

Mas agora eu vejo que eu esqueci de algo importante,
Ultimamente eu tenho esquecido de ser eu mesmo,
O poeta que só morrerá quando a sua alma e seu corpo se separarem.

O ensaio abaixo foi escrito direto, sem pensar muito, pouco antes da meia noite do dia 7 de abril de 2006:

Sob o mesmo céu
“O que é que a gente fez pra isso? – você me perguntou
O que é que nós fizemos pra merecer tudo isso? – eu me pergunto agora
Nada?
Você é quem pensa…

O que é que nós fizemos para merecer auroras tão bonitas?
O que é que nós fizemos para que o gato pedisse carinho?
O que é que nós fizemos para as frutas ficarem mais gostosas?
O que é que nós fizemos para que as pessoas nos amassem?
Nada?

Nós fizemos tudo o que podíamos…
Nós sorrimos para as pessoas estranhas que passavam na rua…
Para o hippie que queria vender uma pulseira…
Para o cachorrinho que procurava um lugar pra fazer xixi.

O que é que nós fizemos para merecer um céu tão estrelado?
O que é que nós fizemos para dormir com o cabelo molhado?
O que é que nós fizemos para que a brisa fizesse nossa alma flutuar?
O que é que nós fizemos para que a poesia começasse a brotar?

Nós merecemos tudo isso porque apreciamos o belo
Nós vimos as mesmas fotografias, mesmo sem ter uma lente por perto
Deixamos a leveza nos guiar
Seguimos a correnteza, sem medo de errar.

O poeta dentro de mim só morrerá quando meu corpo e a minha alma se separarem
A partir de então não serei mais um simples poeta
Serei o anjo que irá guiar todos os que não estão perdidos
Para que se percam
E descubram que a vida não é feita apenas de caminhos seguros
E que, se Deus escreve certo por linhas tortas
É porque nós também podemos fazer o que der na telha

Deus, como o próprio nome diz, é formado De-eus.
Eu sou meu Deus, você é o seu Deus.
Se os nossos Deuses se encontrarem para dançar numa tigela de sucrilhos
Poderemos continuar a festa, e deixar que o mundo desabe sobre nossos pés.”

Noite passada, novamente, eu não dormi.
Fiquei acordado, me revirando na cama, esperando encontrar a resposta que nunca virá.
Estava na dúvida se deveria ir trabalhar.
Decidi levantar a cabeça e seguir em frente.

De manhã eu estava mal, muito mal.
Estava curvado, quase doente, quase chorando.
Mas a brisa ajudou a melhorar as idéias.
Então o Sol apareceu e o dia começou.

Aos poucos meu ânimo foi aparecendo.
As horas começaram a passar mais rápido.
E eu vi que eu era muito mais que o ser errante que todos falam.
Muitos erram muito mais que eu.
E mesmo assim continuam sorrindo.
Então por quê eu devo me auto-punir?
Eu não sou melhor nem pior que ninguém!

Cheguei em casa e coloquei uma música bem alto.
Pulei como eu não vinha pulando faz tempo.
Cantei como há tempos não cantava.
E a minha alma foi se levantando cada vez mais.

Depois fui jogar bola.
Nesse jogo eu estava perdendo.
Empatei e passei na frente.
Mas depois deixem que empatassem e eu acabasse perdendo de novo.
Pra provar que eu consigo ser feliz, mesmo na derrota.

Onde eu coloquei todos os meus problemas?
Embrulhei todos eles numa folha A4 e joguei no lixo do banheiro.
Exatamente porque eu sei que o lixo do banheiro não é reciclado.
E que eles não voltaram numa forma diferente.

Não choremos mais.
Não vamos mais nos lamentar.
Vamos viver a vida!

Eu acabei de tomar banho, e vou dormir com o cabelo molhado.
Quero dar risadas quando eu acordar amanhã e ver o espantalho no espelho.

Sorria!
Chorar só faz criar rugas.



Escrito às 00:19 | Link | | Comments (0)
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