Escutando: A Perfect Circle – Mer de Noms
Eu ando seguido pensando sobre coisas como ‘o fim da espécie’, ‘o fim da minha vida’, ‘o fim de tudo’…
Mas o interessante dessa história é que ela pode ser associada a uma infinidade de coisas mas, principalmente, ao fato de que, para o ser humano, o número 1 sempre significou mais que qualquer outra quantia. Quando o assunto é algo que realmente interessa, o 1 faz toda a diferença.
Espero que não tenha acontecido com ninguém além de mim, o que é bastante improvável, mas quando temos muitas pessoas ao redor, e uma se vai, você começa a notar que tudo era interligado e que aquele indivíduo tinha parte importante em todo um ecossistema complexo onde nossos mares de emoções guiam nosso pequeno e frágil barco de papel.
Esse assunto não me agrada, mas é algo que eu tenho que começar a encarar. Muitas coisas não me agradam e, pra mim, a morte significa algo muito maior que o desaparecimento de um ser ou da passagem para uma outra vida que, espero eu, seja muito superior. Seguido tenho impressão que estou no limbo. Quem não tem essa mesma impressão?
“Dead as dead can be”, my doctor tells me
É como se um spell tivesse me atingido. Uma magia cortante que não fere nenhum tecido vivo em meu organismo. Ele apenas está dissecando o interior do meu cérebro da mesma maneira que uma leoa faminta ataca sua presa em plena selva. Há quase um ano esse golpe foi lançado sobre o que resta do meu ser neste planeta. Há quase um ano aconteceu algo que, na hora, eu consegui lidar mas que, a cada dia que passa, me corrói. Mas essa corrosão, como tudo na vida, tem um lado bom. Ela me machuca para me avisar que a vida é muito mais do que eu vejo. Meus olhos só enxergam isso quando estão fechados e, mesmo assim, essa visão se perde entre as conversas imaginárias que eu tenho comigo mesmo durante todos os momentos que eu me sinto isolado do mundo, que não são poucos.
The Nurse Who Loved Me
O que deveria guiar nosso mundo é uma coisa só: l’amour.
Mas não esse vendido junto com o Trident Azul, ou aquele falso coração vermelho chamado Amor Carioca. Quando eu falo em amour não é da maneira como 98% das pessoas encaram. E sim do amor que sentimos por nós mesmos.
Sou uma pessoa que sempre colocou os interesses dos outros na frente. Nunca soube de que lado ficar em um conflito. Quando eu estou envolvido, acabo sempre dando razão para a outra pessoa. Eu não sei me defender, essa é bem a verdade. Eu sei lutar pelos interesses dos outros, o ‘eu’ fica sempre em segundo e, muitas vezes, em último. E é isso o que a corrosão toda vem mostrando, que eu tenho que encarar tudo que for melhor pra mim.
Segundo a teoria de John Nash, um sistema perfeito é o que funciona para o eu e para o sistema. No meu caso o perfect system está corrompido, pois ultimamente não tem funcionado pra mim. E vai doer muito, mas tenho que encarar isso de frente e lutar com o coração. Fazer valer a pena cada batida que reverbera, antes que ele mesmo desista de mim e acabe me abandonando.
Raul Seixas já dizia: “eu aprendi vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar.” Se ele aprendeu, eu também posso aprender. Aliás, já estou aprendendo, vendo as pedras que rolam ao meu redor e são felizes. Muito mais felizes do que eu posso estar agora.
Wake up! And Face me! Don’t play dead!
Então o UM vai se erguer como aquele rei quase morto que levanta para dar seu último suspiro e mostrar que, mesmo doente, ele anda é o rei. O UM significativo que faz a diferença entre todos. A pessoa que realmente importa pra mim: EU.
Perder uma pessoa importante é algo que eu vou levar para o resto da vida, mas não posso perder a mim mesmo entre todos os sentimentos das pessoas à volta. Não quero saber mais do que os outros que realmente importam pensam, quero saber apenas de mim mesmo. O que for bom pra mim, em primeiro lugar, e, em seguida, para meio onde eu vivo é o que vai tornar meu sistema perfeito. A partir de uma das decisões mais importantes da minha existência.
PS: Não se preocupe quanto ao ‘o fim da minha vida’. Isso não é uma carta de suicídio. Apenas penso como aquela águia que se joga contra o chão para quebrar o bico grosso e velho que a atrapalha. Ela se machuca, ela perde a única ferramenta que a alimenta, mas faz isso porque sabe que a ferramenta nova que está nascendo trás de volta toda a esperança e energia que ela precisa pra continuar vivendo.
PS2: Se você estava em Ipanema ontem, por volta das 9 da noite, pode ter me visto andando de bicicleta.
“E se você olhar no seu reflexo, é tudo o que você quer ser?
Que tal se você olhar bem entre os cacos?
Você iria se achar… Achar a si próprio com medo de ver?”
Trent Reznor, Right Where It Belongs
Escrito em: terça, 21 de março de 2006.
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Decisão tomada, meus parabéns.
Pelo tempo verbal é isso aí.
“Perder uma pessoa importante é algo que eu vou levar para o resto da vida.”
O resto da vida é bastante tempo.
Comment by Anonymous — 26 de março de 2006 @ 03:14
Às vezes interpretar as coisas errado pode ser muito pior do que perguntar sobre o que as pessoas escrevem.
Tudo o que eu escrevi vem de um processo lento de algo que aconteceu faz quase um ano, e eu nunca falei pra ninguém com medo que eu fosse interpretado erroneamente.
Agora resolvi exteriorizar isso. Não quero mais guardar nada dentro de mim. Preciso encarar as coisas como elas são, e não como eu imagino que elas sejam.
Chris
Comment by Chris — 27 de março de 2006 @ 09:11
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Comment by Fernanda — 1 de abril de 2006 @ 18:23