On an island
10 de março de 2006

Escutando: David Gilmour – On An Island

Neste exato momento era pra eu estar gravando mais algumas guitarras, mas preciso renovar minha alma escutando uma preciosidade que se chama On An Island.
Depois de sentir a falta de algum alimento em meu organismo, resolvi sair do convencional sanduíche e comprei algumas maçãs e bananas. Yes! Brazil! Banana! Samba!

Preciso ficar calmo… Preciso ficar light… Mais uma semana se passou, menos uma semana para se viver, o tempo corre sem dar trégua. Corre muito rápido por sinal. Ainda lembro que fiz 18 ontem, que eu fui rebelde, deixei o cabelo crescer, peguei meu violão e raspei a cabeça dos lados, como se fosse um punk (eu nunca pensei assim de mim, mas alguém deve ter pensado). Ainda lembro quando eu tinha meus 13 anos de idade e ficava nas aulas escrevendo clones das letras do Metallica, achando que estava escrevendo poesia em sua pura existência. Talvez eu até estivesse.

Escutando On An Island me sinto melhor que escutando seu irmão menor, A Momentary Lapse of Reason. On An Island, a música, cai sobre os meus ouvidos como se eu estivesse escutando alguma coisa no vinil da casa da minha tia Wilma, ainda nos tempos que ela morava na José do Patrocínio, perto do Centro de Porto Alegre. Eu ainda faço coisas dos tempos da infância. Ainda tenho a mesma sequela de ficar vendo o disco de vinil girar, as linhas horizontais formadas pelos textos no selo se tornando colunas e logo voltando as mesmas linhas horizontais, mas de cabeça pra baixo. Eu sou a única pessoa em meu círculo de amizades que gosta desse tipo idiota de coisa. Talvez alguém mais goste, mas tenha medo de falar.

Lendo o post do Sonho eu vi que penso exatamente que nem ele, e tem muita gente infeliz no mundo porque não admite que gosta de certas coisas porque os amigos não gostam. O Rafael mesmo dizia que eu tenho meu lado gay por gostar de Placebo, HIM e Autolux. Aí ele resolveu pedir o Dark Light emprestado. Volto umas 2 semanas depois me falando “cara, pega esse CD de volta que eu tô começando a gostar disso.” Nós demos boas risadas, se eu não me engano a Renata estava junto, não lembro direito, mas o fato é que o que é bom é para ser ouvido, assim como o que é bom é para ser dito também.

Todos nós temos um dia ruim, todos nós temos os nossos dias bons, e o maior problema do ser humano é que ele concentra suas maiores forças no lado negativo das coisas. Eu, por mania, nunca vejo algo pelo pior lado. Apesar de eu não gostar de telefones, adoro quando alguém me liga. Apesar de não gostar de estar sempre rodeado de gente, adoro quando alguém se lembra de mim. Pra mim as coisas macroscópicas são as que mais importam. Tudo o que está nas entrelinhas pode valer muito mais do que está estampado numa fonte Arial Bold tamanho 150. A foto de uma gota de orvalho sempre será mais bonita que uma paisagem onde vemos seres humanos querendo arrancar o fígado do próximo.

Eu fico triste por uma porrada de coisas. Talvez meu horóscopo esteja tentando me informar que eu tenho que mudar de rumo para me tornar mais feliz, que a posição de Vênus em relação à lua diz que amanhã eu tenho que acordar mais cedo ainda, ir pra beira do Rio Guaíba ver o Sol nascer, mesmo sabendo que ele vai nascer para o outro lado, e não onde ele se encontra todas as tardes no pôr-de-sol mais maravilhoso já visto no nosso querido e judiado planeta. Só que eu não tenho mais visto o jornal, minhas tardes de pesquisas in/úteis estão cada vez mais escassas. Meu dia só se torna feliz quando alguém responde alguma mensagem online, e em seguida entra de novo no nevoeiro, até que chegue alguma outra mensagem. Não estou reclamando da vida em si. A vida é boa comigo. Nunca tive nenhum problema sério, apenas foram tiradas de mim coisas que faziam sentido e que talvez estiveram na minha vida só para me mostrar o quanto é bom viver, e que as desavenças não levam à nada. Sim, eu sou um bom conselheiro, mas eu não sigo meus próprios conselhos. É como aquele médico que fala que fumar faz mal mas, ao sair do consultório, pega seu isqueiro e seu Marlboro, aquele mesmo do cowboy que morreu de câncer, e traga como se fosse a oitava maravilha do mundo.

O homem se auto destruindo.
Nas guerras, nas ruas, no seu interior.
E tudo o que poderia ter sido…

“In my
Nothing
You meant everything
Everything to me
Gone fading everything
And all that could have been”

And All That Could Have Been, by nine inch nails



Escrito às 20:21 | Link | | Comments (1)

1 Comentário »

  1. Uma música do tipo que faz nosso espírito flutuar! ;*

    Comment by Dariane — 11 de março de 2006 @ 09:57

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