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13 de maio de 2009
Apenas para tirar a poeira do blog:
Toca a campainha, vou ver é o rapaz da Light, empresa de energia elétrica do Rio de Janeiro, pedindo pra fazer a medição. (detalhe: faz uns 4 meses que os técnicos trocaram todos os medidores aqui por um modelo que faz a leitura por satélite)
Abro o portão, ele entra e vai direto para a caixa de luz. Então comecei a puxar assunto:
- Cara… Posso fazer uma pergunta?
- Sim
- Esses medidores não fazem a leitura via satélite?
- Fazem sim. Só que a Light não tem estrutura suficiente para recolher os dados.
- Ahnnnn…
- E também não são todas as residências que têm o medidor novo. A previsão é que o serviço seja concluído em 3 anos.
- … até lá já trocou governo e os caras abandonam o projeto - completei a frase dele
- Exatamente! Até lá esses modelos já estão ultrapassados e não vão servir pra mais nada.
Neste momento ele fecha a caixa de luz.
- Obrigado!
- Até mais - eu respondo
Moral da história: tenho que fazer meu passaporte e sair deste país de uma vez. O negócio não tem jeito mesmo.
Escrito às 15:46 | Link |
10 de abril de 2009
Essa capa aí em cima, feita pelo meu camarada Pandashi, representa o sonho de uma vida inteira. Ela embrulha um álbum com 15 músicas que eu vinha escrevendo desde 1999 para algumas bandas que eu participei e que nunca deram certo.
Desta vez, impulsionado pelo contato de uma gravadora que está disposta a nos ajudar, resolvi meter a mão na massa e terminar esses devaneios. O resultado começa com a intro Human Test I e termina com Period, uma música instrumental que deveria fazer parte de um “split”, afinal as 10 primeiras músicas deste disco sempre foram ligadas ao título Kill the Human Being, e as 5 restantes a um projeto que eu tinha em mente, que era um disco apenas de instrumentais, chamado The Book of Revelations.
Como o mercado fonográfico como conhecemos está morrendo, não adianta pessoas como Robert Smith protestarem, o fato é que as pessoas não pagam mais por música. Pessoas não compram mais músicas. Motivo? Se tem de graça na internet, pra quê pagar?
Tem um lado meu que concorda com isso. Esses tempos vi uma entrevista com o Trent Reznor na qual ele dizia que ficou impressionado com o preço cobrado por um CD dele na Austrália, muito superior ao preço do mesmo CD nos EUA. Conversando com um gerente de loja, ele ficou sabendo que “este é o preço porque as pessoas pagam.” Ou seja: um ingresso só custa R$ 200 porque as pessoas pagam, o pão só custa R$ 6/kilo porque as pessoas pagam. Agora, pessoas não pagam por algo que podem ter de graça. Se um show é livre, as pessoas vão, se o pão é grátis, as pessoas pegam.
Roubar um CD físico continua sendo crime, mas roubar música não. As grandes corporações querem que seja, mas para a maioria absoluta da população, não é. E é por este motivo que eu decidi colocar o CD do Jimi Crowley de grátis. Quem não quiser comprar, não vai MESMO. Quem quiser comprar, só vai desembolsar alguma grana assim que tivermos um produto físico que valha a pena.
O “preço” pelo download free é só mandar link pros amigos, falar sobre a banda em fóruns, ir nos shows (estamos providenciando esta parte), talvez comprar uma camisetinha ou o CD físico, assim que a gente conseguir montar uma estrutura pra lançar. É isso!
Entre no site, se cadastre no fórum, baixe as músicas, elogie, critique, faça o que der vontade, mas ouça. É uma banda 100% brasileira tentando seu espaço neste mercado muito concorrido.
Valeu!
Escrito às 12:02 | Link |
15 de março de 2009
Eu estava pensando em escrever algo sério quando acordei. Mas algo bem sério mesmo, seríssimo tipo… sério.
Aí liguei o computador e vi no Twitter do Rob um vídeo do site SoulPancake. Não preciso dizer que lá se foi aquele pensamento de escrever sobre coisas sérias, né? Poxa! É domingo, manhã, tempo nublado, o que significa “sem calor imediato”, então pra quê perder tempo escrevendo coisas sérias?
Aqui vai uma pequena coleção de vídeos e imagens muito fodas:
Kittens inspired by Kittens
(abram a cabeça e vejam isso, meros humanos. Aprendam com as crianças)


Ilustração de Philip Blyth
Esse eu já conhecia graças à minha amiga Déia.
Agora o melhor:
E o texto, que eu estava pensando em escrever… Deixa pra depois, quando o tédio voltar.
Escrito às 09:10 | Link |
4 de março de 2009
Primeira batalha judicial contra o Piratebay e o que acontece?
FAIL!
Isto abre o caminho para o que já deveria estar acontecendo: a atualização do business.
Se fossemos seguir as regras antigas do jogo, e esperar pela indústria disponibilizar tudo, com certeza muitos de nós não teria visto ou ouvido muita coisa. Pegamos, por exemplo, a indústria do cinema. Com excessão dos grandes blockbusters, nós, no Brasil, acabamos por ver na telona um filme que lá fora já está nas locadoras. Existem ocasiões que não dá pra esperar.
Lembro que, há uns bons anos atrás, eu baixei Resident Evil porque lá fora já tinham lançado ha quase 6 meses e aqui nem data prevista de lançamento. Mesma coisa com o filme Control e o documentário Joy Division. Quando eu baixei já era DVD-Rip, e aqui nem sinal de ser lançado.
Como o mercado nacional não gosta de perder, ao invés de reduzir o lucro e pressionar o governo brasileiro por menores impostos, a pena foi aplicada em cima de quem? Do comprador, lógico! A gravadora não pode perder, o distribuidor também não e a loja muito menos. Então, ao invés de reduzirem o preço reduzindo o ganho, as empresas cortam ítens do produto, como encarte, estojo ou mesmo o próprio CD, vindo com menos músicas. É justo?
Eu acho que já falei sobre isso aqui, mas não custa repetir: quando você baixa um filme você assiste direto, sem precisar ver propaganda alguma. Quem compra DVD nacional acaba tendo que ver, sem a opção de pular, vários trailers, além da ridícula propaganda anti-pirataria que virou lei. Pensa bem: você pega um produto pirata, ok! Você tem o filme. Você compra um original, tem propaganda contra o produto pirata MAIS trailers que você não pode pular, como se te obrigassem a ver aquilo e passar por uma lavagem cerebral para consumir mais.
O indústria está falindo e é por conta própria. Os executivos não abandonam seus jatinhos particulares, suas mansões e seus brinquedinhos caros. Mas não mesmo. Eles preferem demitir, cortar custos, mas NUNCA reduzir o preço final e os lucros.
Não adianta culpar o Piratebay pela troca de filmes e pela queda do mercado fonográfico e cinematográfico. Enquanto as empresas não pararem de reclamar e começarem a fazer algo em prol do seu cliente, a tendência é cada vez mais pessoas aderirem ao download gratuito.
Outra coisa que me veio à cabeça agora é o CD e a mp3 protegidos contra cópias. Quando você entra no Google, digita o nome de uma banda, nome do CD e mais a palavra Megaupload chovem links para baixar aquele disco. Pois bem: você baixa, passa pro seu iTunes, ouve até cansar, copia pro seu celular, copia pro seu mp3, faz cópia em um CD ou pen-drive pra ouvir no carro, passa uma ou duas músicas para um amigo, tudo sem problema algum. Agora vamos ao fato de você comprar um CD original protegido: compra na loja (virtual ou física), chega em casa, coloca no computador:
1. Você precisa instalar um software pra poder ouvir aquele disco
Tecnologia Copy Control: faltam as letras com acentuação no aviso “problemas de execução poderão ser encontrados…”
Ok, você instala o software*. Ouve o disco tranquilamente. Aí vai passar pra mp3, só pode passar 3 vezes, sendo que essas cópias ficam restritas ao seu computador. Bom, não posso fazer muitas cópias, então vou levar o CD para escutar no carro. Dependendo do CD player que você tem no carro, ele não toca (Nota: isso aconteceu com meu antigo CD-Player da Sony, eu não conseguia escutar muitos dos CDs protegidos contra cópia PELA PRÓPRIA SONY). Bom, quando eu compro um CD, eu quero ouvir onde quer que seja, quero copiar quantas vezes desejar, afinal eu paquei por aquelas músicas e quero ter o direito de ouví-las quando quiser, do modo que eu quiser, certo?
Errado! Para a indústria, aquele material é propriedade intelectual e você NÃO PODE FAZER O QUE QUISER COM ELE, porque ELE PERTENCE AO AUTOR. Bom, se eu paguei por algo, e ele continua pertencendo a outra pessoa, pra quê pagar? Se eu vou comprar algo que não é meu, qual o motivo de eu dar dinheiro, e não é pouco, pra outras pessoas?
O mesmo acontece com muitas das mp3 que estão disponíveis para venda em lojas como iTunes. Os arquivos que vêm com DRM (digital rights management, ou gestão de direitos digitais) são protegidos contra cópias. Você baixou ele para o seu computador, ele só vai funcionar no seu computador. Imagine que você tem uns 20 discos em mp3 comprados legalmente, seu computador deu problema e você tem que comprar outro. A solução? Comprar novamente aqueles 20 discos. Não esqueça: nos moldes atuais, o que você compra não é seu, apenas tem o direito de ouvir, e em ocasiões limitadíssimas.

Celldweller: “A cópia não autorizada deste disto é proibida pela lei federal, mas isso não vai impedí-lo de qualquer jeito”
Algumas bandas independentes já entraram neste “novo” mercado. É o caso do Celldweller e do Nine Inch Nails (NIN), que lançam discos e arquivos mp3 sem proteção. Isso é confiar nos fãs. O NIN vendeu em uma manhã 2500 cópias de sua versão limitada do álbum Ghosts, que custava a “bagatela” de U$ 300 (ou R$ 720, na cotação de hoje). Isso comprovou que existe sim demanda quando você respeita o público.
Outra coisa interessante é acompanhar também a índole dos executivos que controlam as gravadoras. O grande ícone do movimento Napster foi a banda Limp Bizkit, com seu vocalista Fred Durst defendendo a liberdade musical. Não é que, pouco tempo depois, ele aceita o cargo de executivo da Interscope Records e hoje é contra?
A inversão de papéis chega a ser engraçada. Em 2004 Trent Reznor, o homem por trás do Nine Inch Nails, preparou uma versão em DVD duplo de seu VHS Closure. Entregou para a Interscope, que era sua gravadora na época, e esperou a data de lançamento, que nunca aconteceu. Insatisfeito, ele jogou todo o conteúdo do DVD, com menus animados, 90min. de extras, áudio e vídeo restaurados, no mesmo Piratebay que a indústria tenta fechar as portas hoje. Hmmmm… Estranho né? A gravadora não lança, então o artista é que tem que correr atrás para que seus fãs tenham acesso ao seu trabalho. Contraditório?
Não precisamos ir muito longe pra ver essa mudança de pensamento. Até pouco tempo atrás, quando então era ministro da Cultura, Gilberto Gil prometeu regravar todos os seus discos e lançar sob a licença Creative Commons. Muitos artistas e produtores ficaram na balança entre o “inovador” e o “insano”, pois ele seria o primeiro músico a embarcar pelas águas livres do CC. Enquanto estava mamando nas tetas do governo, ele planejava lançar suas músicas livremente. Porém, ao deixar a pasta da Cultura, voltou atrás, chegando ao cúmulo de dizer que nunca disse nada daquilo, deixando a entender que foi invenção da mídia. Sinceramente, Sr. Gil, todo mundo viu no seu site todo o seu entusiasmo pelas mídias livres. O que aconteceu? Lembrou que tem contas pra pagar e que não é mais o povo responsável por elas?
Fica a pergunta: até quando a indústria vai continuar com esse pensamento? O importante é que o Piratebay e seus milhares de usuários venceram a primeira batalha. Com certeza irão existir muitas outras, e a espectativa é que os usuários sejam os grandes vencedores.
* A Sony, ha algum tempo atrás, distribuiu CDs em que o programa anti-cópia vinha com um vírus que roubava as senhas do seu computador.
Escrito às 10:09 | Link |
